Como o foco pode melhorar a sua vida? 

Uma vida sem foco…

Todo mundo já deve ter ouvido aquele velho ditado popular: “cabeça vazia, oficina do diabo”. Pensar em nada, não ter nem um foco sequer, pode levar a uma vida morna, sem graça, desestimulante. Você já se sentiu assim? Termina o dia ou a semana e fica com a sensação de vazio?  Ou então, começa a achar que a sua vida está sem graça e não sabe o que fazer? Ou então, que não fez o que gostaria de ter feito? 

Pois bem, a neurociência comprova a legitimidade deste ditado popular tão antigo: Quando você está sem foco, sua mente se direciona para o que poderia estar errado em sua vida, ao invés de se fixar no que está certo.

Foco e cérebro saudável 

Ter um foco, definir prioridades, ter algo para direcionar a atenção, contribui para nossa qualidade de vida e nos mantém conectados com algo de valor e significado, evitando desperdício de tempo e energia vital. 

O cérebro constrói nossa visão de mundo a partir daquilo que prestamos atenção. Ter um foco em mente, ajuda o cérebro a pensar de maneira mais produtiva e em coisas boas. “Uma vida profunda é uma vida boa” (Newport, p. 18). Nem sempre é fácil definir o alvo, às vezes temos tantas coisas na mente, tantos desejos, que fica  difícil escolher um foco. 

Winifred Gallagher, escritora de ciências, após uma experiência de diagnóstico de câncer e pesquisas científicas, convenceu-se que “…a gestão habilidosa da atenção é condição sine qua non da boa vida e o segredo para melhorar praticamente qualquer aspecto de sua experiência” e acrescenta “quem você é, o que pensa, sente e faz, o que ama, são a soma daquilo em que você se concentra”(Newport, p. 76).

Quando damos mais atenção aquilo que é importante e de valor, não sobra espaço mental para coisas negativas e superficiais, que não agregam valor algum em nossa vida. Ainda de acordo com Gallagher “o sentimento de se aprofundar é em si mesmo muito gratificante”. (Newport, p. 76).

Foco, produtividade e auto-estima 

Ao que tudo indica, nossa mente gosta de desafio. Ou seja, precisamos trabalhar mais nosso cérebro, fazer novas sinapses, conectar com algo bom e de valor, produzir e se aprofundar em algo. Assim, direcionamos energia e atenção ao que é saudável e, consequentemente, construímos uma vida melhor.

Agora, imagine deixar seu cérebro solto, preguiçoso, só envolvido em atividades superficiais, sem nenhum aprofundamento, sem um esforço qualquer, sem aprender algo novo, sem focar em absolutamente nada de importante e que tenha significado… é como se fosse um barquinho à deriva num oceano de possibilidades. 

Facilmente nos admiramos quando pessoas trazem novas ideias, constroem algo novo, produzem… Às vezes olhamos o resultado pronto e pensamos que foi fácil ou que a pessoa tem talento, dom, mas esquecemos que qualquer conquista ou realização é resultado de muito esforço ou dedicação. 

A exemplo disso sugiro o filme, “O menino que descobriu o vento”, baseado em uma história real. Quanto ele se dedicou àquela criação que mudou o rumo da sua vida e em sua comunidade?

Pense no seu dia-a-dia. Quantas vezes você já deve ter se sentido bem quando resolveu um problema ou uma situação difícil? ou quando conseguiu aprender algo, desenvolver alguma habilidade, ter cumprido alguma meta própria. A sensação é prazerosa, desde coisas simples à complexas. 

Foco, significado e autorealização

Se passarmos tempo suficiente em estado de foco, nossa mente avalia nosso mundo como sendo rico de significado e importância. Poderemos colocar talentos e ideias em prática e o simples fato de ter criado ou produzido algo, dá uma sensação de preenchimento que vale a pena. (Newport, p. 78)

Barbara Fredrickson, uma das referências em Psicologia Positiva e especialista da avaliação cognitiva das emoções diz que “aquilo em que você escolhe se concentrar, exerce uma força significativa em sua atitude futura.” (Newport, p. 77)

Já que seu mundo é o resultado daquilo em que você se concentra e presta atenção, vale pensar qual mundo mental você constrói quando se dedica a um trabalho profundo. 

Quanto poderíamos aprender ou mesmo realizar se identificássemos nossas vontades, termos um foco e aprofundaremos nele?

Como definir seu foco

Claro que não é simples definir um foco. Aqui vai uma lista de perguntas reflexivas que podem ser o ponto de partida para você escolher seu foco: 

1.    Dedique-se pelo menos 1 minuto do seu dia para se aprofundar primeiro em você. Deixe as ideias virem. Feche os olhos e fique um pouquinho com você. Pense em seus desejos, sonhos, vontades de realização. Este exercício é bem gostoso, ficamos pouco conosco. Respire e aprofunde em si. 

2.    Conecte-se com seu sábio interior (todos temos um). Perceba e sinta o que deseja, o que realmente é importante para você neste momento. Reflita sobre sua vida pessoal e profissional.

3.    Onde gostaria de investir mais tempo e atenção? No que gostaria de se aprofundar?

Como realizar o seu foco

1.    Escolha um período do seu dia ou de sua semana para dedicar tempo e atenção de seu dia para pensar e se conectar com seu desejo. O que gostaria de realizar?

2.    Liste as ideias que vierem, sem julgar nem analisar, apenas anote. 

3.    Escolha pequenas ações para realizar e comece, um passo de cada vez. 

E agora com estas ideias em mente, como você se sentiria se se dedicasse e realizasse pelo menos um foco? Qual visão teria de você?

Pense nisso, aproveite este período em casa e ajuste sua bússola em direção ao que realmente é importante.

Deixe anotado em algum lugar que você possa acompanhar. 

Desejo que quando chegar no final do ano, você se sinta realizado por ter realizado um desejo! 

Boa reflexão! 

Autora do texto: Luciana Escarmanhani Avelino, psicóloga. CRP: 06/65.601.

Fonte: NEWPORT, C. Trabalho Focado: como ter sucesso em um mundo distraído. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.


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